silhueta de uma mulher com a gestação bem avançada, na praia, em pé na areia abraçando a barriga e olhando para o horizonte. bem próximo a agua do mar. O sol está atrás dela, iluminando sua silhueta alguns pássaros voam no céu.
Doula,  Gestação,  Parto

O Mapa do parir

Não é tão fácil chegar ao pote de ouro sem saber ler o mapa certo? Que a assistência humanizada no Brasil é precária a maioria já sabe… Que muitos médicos fofos são cesaristas, que os hospitais sabem agendar cirurgias cesáreas e que os berçários são como aquários também… Se você não sabia desculpa te dar essa notícia assim sem filtro. Mas amiga, se você pretende encontrar o o mapa para parir por aqui vai ter que rebolar na cara do sistema! E muito! Senão vai acabar numa desnecessária ou num parto vaginal cheio de intervenções e violências obstétricas. A boa notícia? É que depende de você se empoderar do processo!

Voltando ao mapa

E por que mesmo assim, sabendo de tudo isso tantas mulheres infelizmente não conseguem ser protagonistas de seus partos? Por que quebrar padrões não é fácil. Requer dedicação, estudo, empenho, procura, informação, questionamento e um “que” de desconfiança e imposição; precisa conseguir ver nas entrelinhas do caminho. E, convenhamos, uma gestante não está lá no seu melhor momento de disponibilidade de tempo, direção e de empoderamento. A sociedade coloca a gestante em segundo plano – o que importa é a tal saúde do bebê! Obviamente, mas se a pessoa que gesta não é cuidada não adianta muito certo? 

E que saúde damos a esses pequenos seres quando ALGUÉM diz que é hora dele nascer e manejam a sua extração sem aceitar o ciclo natural do processo? Não permitem nem que ele faça a sua primeira grande escolha: Estar pronto para nascer! O trabalho de parto inicia com sinais do corpo em resposta ao amadurecimento do bebê! Ou seja, quem diz quando está pronto é o próprio bebê! Mas os médicos tradicionais acham que sabem mais que a natureza humana… Que pode passar da hora, que seu corpo não sabe cuidar ou responder a isso… Tentando diminuir a potência daquele corpo que gesta, como se não fosse capaz…

Olhando para trás

E ora, vamos pensar voltando um pouquinho no tempo … As mulheres que estão gestantes agora, são de uma geração que maioritariamente veio ao mundo por cesáreas agendadas… ou até entraram em trabalho de parto mas suas mães ‘não dilataram’ o suficiente para conseguir parir…

Desde o inicio já tiveram suas vontades sufocadas – literalmente – nossa geração tem muitos problemas respiratórios e dificuldade em se impor em suas verdades… Aquela frase “mas você nasceu de cesárea e está ótima” é quase uma constante… Uma triste história para quem busca redenção… Talvez a sua própria!

Queremos fazer diferente, queremos – e estamos – construindo uma sociedade mais presente, potente e dona de si, que não aceita o “porque sim” e busca explicação – real e embasada – para tudo! Que de fato se preocupa com sua saúde e busca informações reais e não apenas reza o que Doutor da família – com o Dr. bem sonoro na frente do nome – disse! Essa quebra é muito difícil… São muitos obstáculos para transpassar… E sim, muitos se aproveitam da suposta fragilidade de uma gestante para dizer “não se preocupe com isso, deixa que eu resolvo”! “Pra que pensar no parto? Cuida do enxoval!”

Não, não vamos!

Não vamos deixar, vamos sim arrancar as rédeas da mão de qualquer um que seja e seguir o caminho que nos faz sentido. Vamos sim arrumar tempo para buscar informação, estudos, buscar profissionais atualizados e dedicados que – através de muito estudo – tem o caminho da melhor assistência a oferecer; considerando segurança, saúde do binômio – gestante e bebê – vontades e decisões particulares daquela família. E que sim, vai se impor contra o sistema para ajudá-la nessa busca!  Estamos juntas para ajudar nesse caminho.

No seu intimo você sabe que quer parir, que é o melhor para você e seu filho… caso contrário não estaria por aqui. São muitas questões a resolver, muito a que pensar e entender qual o seu melhor cenário, mas contando com ajuda de profissionais fica um pouco mais leve.

Primeiro vale ressaltar que como é baseada em segurança e o melhor atendimento possível, a assistência humanizada não é contra qualquer procedimento médico, intervenção ou qualquer conduta que seja necessária para garantir o bem estar do binômio.

Leia aqui se você tem alguma dúvida sobre isso https://kaumurua.com.br/sobre-parto-humanizado/

Local do parto

Sendo uma gestação de baixo risco (ou seja risco habitual) você tem 3 opções para parir:
No hospital
Em uma casa de parto
Na sua própria casa

Agora se for uma gestação de risco moderado ou alto risco provavelmente você terá que ir ao hospital ai sim, a ciência vem salvar! E se usada com inteligência salva mesmo! Por isso é muito importante um pré-natal de qualidade e se cuidar durante a gestação. Gestar não é doença, mas vale sim uns cuidados a mais com a sua alimentação – que alias, podem ser olhados como mudança permanente… comemos muito mal! Mas isso é assunto para outro posts! rs – e saúde geral!

No hospital

Se essa for a sua escolha, você vai precisar buscar quais são os melhores hospitais considerando a prática humanizada – e não qual oferece a melhor hotelaria e o berçário mais integrado com a cafeteria como qualquer visita a maternidade tenta te convencer.

No Brasil ainda não temos um hospital totalmente alinhado com as práticas humanizadas, então você escolhe o ‘melhorzinho’ dentro do seu plano de saúde – mas saberá antes se tiver uma boa assistência acompanhando – quais são os protocolos que terá que enfrentar, abrir mão, se sujeitar e quais que você pode sim questionar e se recusar. Infelizmente dentro do cenário hospitalar, algumas questões não podem ser garantidas e vai sim depender do protocolo da instituição e, principalmente dos plantões de profissionais que estarão lhe atendendo… desde enfermeiros até médicos e pediatras.

Estar em um hospital que tem salas Delivery – as famosas salas de parto com banheira e luzinhas de estrela no teto – não significa que você terá um parto vaginal e respeitoso… É só dar uma olhadinha nos percentuais de partos ‘normais’ e cirurgias cesáreas das instituições… São números muito tristes. Para garantir uma assistência de fato humanizada, você vai precisar de uma equipe multidisciplinar humanizada que atenda nesse hospital – ou seja a sua médica e equipe precisam ser cadastradas no hospital.

Ai que a coisa pode dar uma balançada… as vezes o custo é um impeditivo, distancia ou agenda das equipes… você pode dar umas voltas até encontrar uma equipe que se identifique e que atenda aos requisitos. Se pagar uma equipe esteja fora da sua possibilidade, existem algumas outras opções para melhorar as chances de um parto com plantão – mais um post em breve!

Tudo muda rápido

Além de tudo que envolve essas questões, os protocolos dos hospitais estão sempre mudando… então não basta saber como funciona em cada um, é importante saber como está funcionando agora…

E sabe quem pode ser a bússola nesse cenário? Sim! A Doula. A doula de parto trabalha com as gestantes, portanto circula por diferentes hospitais, conhece e atende com as mais diversas equipes multidisciplinares, e somos uma classe bastante unida, trabalhamos com bastante parcerias – entre doulas – trocamos muita informação sobre assistências. Justamente para auxiliar com qualidade as mulheres que nos procuram.

Você sabia que algumas maternidades nem tem mais berçários? E outras que permitem que o bebê fique no quarto o tempo todo? Que coisa revolucionária né? Os bebês PODEM ficar ao lado da MÃE logo que nascem… (*contém ironia rs)

Casa de Parto

Em São Paulo temos duas casas de parto. Ambas atendem pelo SUS uma exclusivamente na zona leste, a outra com convênio na zona sul.
A casa de parto é um ambiente bem simples, lembra mesmo uma casa. Não possui médicos nem estrutura hospitalar. Ou seja, nada que necessite de uma intervenção médica acontece nesse ambiente; não tem analgesia, não aplicam nenhum tipo de estimulador ao parto, não fazem indução…

A casa de parto oferece ambiente seguro, acolhedor e com profissionais capacitados para atendimento de um parto o natural. Possuem parteiras/obstetrizes/enfermeiras obstétricas e toda a estrutura física/ambiente para uma melhor experiência de parto para parir com autonomia; espaço, barras, bolas de pilates, banheira, chuveiro… E claro, considerando a segurança do binômio.

E, por segurança, também possuem seus protocolos internos – muitos deles seguem a cartilha da Secretaria de Saúde Municipal – considerando que atendem pelo SUS. Ou seja, aqui também temos uns pontos a considerar e avaliar o que é importante para a gestante.

Quem pode te dar uma atualiza sobre o mapa para parir aqui, mais uma vez é a doula. E importante ter um plano B traçado.

Parto Domiciliar

Arrisco dizer que suas avós nasceram e pariram assim; em casa! Acertei não? Se não sabe como foi a história dos partos na sua família, vale buscar alguém que possa dividir com você e preparar um café para mergulhar nessa história.
Até bem pouco tempo atrás, as mulheres pariam no ambiente que lhe era conhecido; em suas casas com as comadres e familiares a volta dando o suporte e participando desse momento.

Sua casa, suas regras! Claro, sempre ressaltando e considerando a segurança do parto. Para parir em casa, no seu mapa, precisamos de uma gestação de risco habitual, um pré-natal sem intercorrências e um bom plano B. Lembra: a ideia é ter um parto natural, mas as vezes acontecem situações que uma mudança de planos é importante – pode até ser um pedido real de analgesia pela gestante, alguma intercorrência que precise de monitoramento no ambiente hospitalar ou até a necessidade de uma cesárea.

Sua casa, suas regras

No ambiente domiciliar você também precisa de uma equipe multidisciplinar particular para acompanhar o seu parto. A diferença é que não precisa de uma médica obstetra (ela entra no plano B porque em casa não pode fazer nenhum procedimento/intervenção médica). Em casa, quem acompanha o parto são as parteiras urbanas – obstetrizes.

Os protocolos são mais flexíveis, por se considerar o atendimento totalmente individualizado e fora de um ambiente hospitalar. Sem deixar de lado as questões importantes de segurança, considerando muito mais evidências científicas reais atualizadas do que os protocolos hospitalares.

Em casa a doula faz o papel de comadre da história das suas avós. Para escolher um parto domiciliar, precisa de uma dose extra de coragem inicial, mas é muito comum mulheres que pariram no hospital dizerem que num próximo parto encaram um domiciliar… rs

Ainda temos uma certa resistência em aceitar que o parto é algo fisiológico, que o corpo da mulher está preparado para parir e que bebês sabem nascer e que na maioria das vezes, o processo acontece assim, de forma natural. Quanto mais claro isso na sua cabeça, mais próximo de um parto domiciliar você está.

Agora se você quer e se sente mais segura num hospital, sem problemas! A assistência humanizada é isso; respeitar a vontade da mulher que quer parir.
E aí, por onde você acha que está o seu caminho?

Precisa de mais informações para escolher? Vamos conversar! Me manda uma mensagem

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